quinta-feira, 5 de abril de 2012

A Polêmica do Hino de SC - Mudar ou não Mudar? Eis a questão.

Achei esse texto interessante, vale a pena refletir...

A iniciativa de alterar o Hino de Santa Catarina, instituído em 1892, motiva a revolta dos descendentes do autor da letra, Horário Nunes Pires, e de outras personalidades e intelectuais. Em “Um Hino de um Estado de Graça”, Rogério Guilherme de Oliveira questiona a tentativa oportunista e eleitoreira. (C. M.)

O Hino de um Estado de Graça


Por Rogério Guilherme de Oliveira

O projeto de decreto legislativo sobre a mudança do hino do Estado de Santa Catarina poderia ser considerado uma daquelas iniciativas parlamentares que visam, primeiramente, ao acesso midiático e não ao interesse público? Um celeuma como este pode render bem mais que muito assunto árido e urgente, suplicado por uma população carecente do atendimento ao seus interesses, fundamentalmente, públicos.

Alegam os críticos que nosso hino não reflete a "alma catarinense", que se trata de um hino de difícil assimilação sobre a abolição da escravatura e com viés republicano. Não conseguem, se quer, ler linhas e entrelinhas, depois de formada sua opinião contrária à exaltação contida no poema de Horácio Nunes Pires em favor dos, sempre, tiranizados - sejam os negros de outrora, sejam, também, as demais minorias massacradas atualmente.

Aqueles que defendem o hino cívico catarinense têm-lhe apreço, sobretudo, porque foram marcardos por audições que celebravam o amor ao Estado onde cresceram e construíram suas vidas. Amor que fortificou a crença na possibilidade da realização de seus sonhos, alguns decantados de forma tão poética em cada uma das quatro estrofes do hino que converte os habitantes desse estado ideal em cidadãos.

O projeto de alteração do hino faz-me pensar que cada catarinense o percebe segundo suas vivências e expectativas. Aquele que vive a plenitude de suas necessidades atendidas terá mais dificuldade em se sentir tocado pela mensagem explícita textual - talvez seja preciso um exercício profundo de empatia para com aqueles que sofrem, caladamente, as ausências do Estado...

E os críticos querem uma letra que exalte as belezas naturais do estado: um hino turístico, talvez. Esquecem-se que não há méritos em herdar essa riqueza - méritos há em sua preservação.

Por que não nos voltarmos para as possibilidades que o hino oferece sem custos, de graça? Há uma riqueza a ser explorada e que não causa esgotamento nenhum de recursos, muito pelo contrário! Imagine que semeadura a disseção de seu texto poderia inspirar nas mentes férteis de nossos estudantes - em especial da rede pública de ensino -, sempre ávidos por novas e fantásticas experiências que não a simples repetição sem reflexão. Imagine...

Particularmente, ao extrapolar o contexto histórico das palavras cantadas, prefiro me ater à mensagem perene de liberdade, igualdade, justiça e de fraternidade que o nosso hino cidadão encerra.

A segunda estrofe, quase nunca cantada, prescreve dois caminhos para exterminar o preconceito: "pela força do direito e pela força da razão" - o poeta, em 1892, já conhecia a fórmula. A terceira estrofe, também frequentemente omitida, canta o fim das regalias, das diferenças, e enaltece a ousadia do povo catarinense - acredito que Deus abra um sorriso divino quando seus filhos conseguem ousar diante dos desafios cotidianos que lhes apresenta.

A letra do Hino do Estado de Santa Catarina nos obriga a ir além do óbvio, do geralmente aceito, das impossibilidades impostas. Ir além das palavras e buscar, sempre, o essencial. Não é à toa que temos este hino. Ele ainda grita que há algo a ser feito, a ser seguido. Quem tem ouvidos que ouça: "IRMÃOS SOMOS TODOS E TODOS IGUAIS!"

Hino de Santa Catarina

Letra: Horácio Nunes

Música: José Brazilício de Souza

Sagremos num hino de estrelas e flores

Num canto sublime de glórias e luz,

As festas que os livres frementes de ardores,

Celebram nas terras gigantes da cruz.

Quebram-se férreas cadeias,

Rojam algemas no chão;

Do povo nas epopéias

Fulge a luz da redenção.

No céu peregrino da Pátria gigante

Que é berço de glórias e berço de heróis

Levanta-se em ondas de luz deslumbrante,

O sol, Liberdade cercada de sóis.

Pela força do Direito

Pela força da razão,

Cai por terra o preconceito

Levanta-se uma Nação.

Não mais diferenças de sangues e raças

Não mais regalias sem termos fatais,

A força está toda do povo nas massas,

Irmãos somos todos e todos iguais.

Da liberdade adorada.

No deslumbrante clarão

Banha o povo a fronte ousada

E avigora o coração.

O povo que é grande mas não vingativo

Que nunca a justiça e o Direito calcou,

Com flores e festas deu vida ao cativo,

Com festas e flores o trono esmagou.

Quebrou-se a algema do escravo

E nesta grande Nação

É cada homem um bravo

Cada bravo um cidadão.


http://www.youtube.com/watch?v=m5GjL-car5I&feature=related

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